quarta-feira, 1 de junho de 2016

Rotina

Ela prende o sorriso, esconde o olhar, amarra o cabelo e curva os ombros.
Ela pinta os unhas, troca os sapatos,  se maquia no espelho, observa a paisagem da janela.
Ela bate o ponto, acena para mim, e me dirige a palavra.
Como pode um simples bom dia me trazer tanta paz?

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

The end

Tento expressar por palavras minha angústia, mas não consigo acha las.  Simplesmente vem o silêncio. Esse subto silêncio mortal que entorta o paladar, faz perder o juízo, faz crescer uma dor. Uma  dor que estava escondida. E realmente não importa. Quando a dor vem não importa,  não importa o que superou, as experiências e expectativas,  porque tudo se desmancha como um dente de leão ao vento. E toda aquela esperança, tudo o que havia depositado em você mesmo, tudo... Acaba... E doloridamente você se perde no meio de frustrações que durante toda uma vida fingiu esquecer. Fingiu superar. E você passa a se perguntar se vale a pena todo  o investimento, se compensa ser tão bacana, fiel, amiga, amante... Você se pergunta: quando será a minha vez? Quando a vida vai começar a dar verdadeiros sorrisos ao invés de esboços forçados?

sábado, 27 de junho de 2015

E por fim, você acaba descrevendo nas estrelas a hipocrisia de um pensamento blasfêmico e surreal, onde só existem mentiras e um grande desvio para a imoralidade.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

O tempo do universo

E com a calma agente começa a ver a alma.
Traçar os pontos. Rever as cores embutidas em sólidas paredes de concreto.
Saltar dos altos muros que assistimos emergir de uma rua qualquer.
Porque senão, senão as memórias não se fundem, e aquele gesto, a pose fotografada pelo olhar incerto, o por do sol declarado em uma janela de um quarto esquecido , os segredos coados no café de uma manhã intensa, o cheiro embriagante daquele perfume do amor inesperado,
O credor dos olhos cansados de uma noite mal dormida, aquele sorriso arrancado na solidão de inconstantes lembranças, as piadas indiscretas e as redundâncias presumidas...  nada, absolutamente nada disto existiria.
Nem mesmo os abraços quentes das madrugadas de um inverno, ou então os beijos molhados dedicados por uma paixão mergulhada em choro por um violão em plena quinta-feira. Devemos fazer do nosso Hoje o tempo. Esse é o tempo.  Aquele que tanto esperamos e brindamos. Que seja ele a se dedicar os textos, músicas e enfins. Experimente-o.  E murmure nos ouvidos de quem achar que deve ouvir, que está  olhando para a bela esperança do universo.

domingo, 21 de junho de 2015

Soneto Luz e Treva

EEla tem uma graça de pantera 
No andar bem-comportado de menina. 
No molejo em que vem sempre se espera 
Que de repente ela lhe salte em cima. 

Mas súbito renega a bela e a fera 
Prende o cabelo, vai para a cozinha 
E de um ovo estrelado na panela 
Ela com clara e gema faz o dia. 

Ela é de capricórnio, eu sou de libra 
Eu sou o Oxalá velho, ela é Inhansã 
A mim me enerva o ardor com que ela vibra 

E que a motiva desde de manhã. 
- Como é que pode, digo-me com espanto 
A luz e a treva se quererem tanto...

Vinicius de Moraes

MAIS NINGUÉM

RPode ser o seu cabelo
Ou o jeito que você anda
Pode ser o seu apelo
Pelos burros de miranda
Pode ser o sol da tarde
E essas coisas que ele traz
Dada sua intensidade
Ou a calma do meu mundo
Um dia eu vou ficar bem
Só pra te querer mais
Onde quer que eu ande bem Domingo é pra te dar paz
Pode ser o seu tamanho
Ou o jeito que você erra
No momento em que eu te ganho Mais
Ou no barco que te leva
Pode ser o que você quer
Ou o que eu tenho pra te dar
Uma vida inteira pra viver
Ou um só segundo pra lembrar

Banda do Mar

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Devagar

Vem

Se entregar nos meus braços amor
Permita afogar meu desejo em teu peito
Derramar tua ternura em meu leito 
E esse arrepiar dos pêlos é o que te faz louca .

Vou
Me entregar aos encantos desse amor
Despir lhe todo esse corpo encantado 
Me juntar aos lençóis do teu lado
E essa paixão que me sai pelas coxas é o que me faz tua.